3.8.09

a woman's right to shoes




no episódio 9 da sexta temporada de 'sex and the city', a carrie apercebe-se de que as pessoas solteiras não têm os mesmos privilégios das casadas. são prendas de noivado, de casamento, para o primeiro bebé, para o segundo, prendas de anos para a mulher+marido+crianças... um não acabar de investimentos na vida alheia. não se acha mal que assim seja, mas o desequilíbrio é demasiado evidente. ela ficou sem uns sapatos que lhe custaram os olhos da cara e foi humilhada pela futilidade do pedido (hello! quero o dinheiro dos sapatos!), porque a família é muito mais importante. ninguém diz que não, mas se alguém não quer juntar meio mundo para dizer 'sim', também não tem direito às listas de casamento, recheadas de tudo o que é preciso para equipar a casa - que só por si já dava para alimentar um pequeno país não desenvolvido. assim como há o convite 'vamos casar, anda comemorar connosco', também devia haver o 'vou morar sozinha e estou feliz da vida', segundo ela.

e é aqui que eu entro. porque queremos morar juntos e andamos a ver casas. algumas giras, outras nem por isso - incluindo uma casa inatingível mas com A cozinha e outros pormenores interessantes. prendemo-nos a um empréstimo que dura a vida toda e mais uns meses e ainda nos olham de lado porque não fazemos festarola, porque não convidamos pessoas que não nos são nada ou que não vemos há mais de metade das nossas vidas, para encherem a barriguinha (e os tupperwares)?! andamos tentados a distribuir o nosso nib para donativos, em troca da promessa de um saboroso jantar caseiro - com marcação dependente do volume de donativos, claro. pelo que vou sabendo, organizar um casamento demora, é caríssimo, cansativo... e não faz parte dos meus planos. e por isso tenho que abdicar da maravilhosa lista de casamento, onde poria tudo o que faz falta, para podermos realmente MORAR na casa que vamos passar o resto da vida a pagar.

ok, nos casamentos os convidados oferecem presentes exactamente por isso: porque foram convidados. mesmo que não apareçam, fica sempre bem uma prendinha, normalmente de valor semelhante ao gasto pelos noivos, por cabeça (parece que falamos de gado, mas o termo é mesmo este). se não há casamento, não há convite, não há prenda. mas existem, ainda assim, duas pessoas a morar juntas - ou se calhar não, porque a verba para a compra da cama ou para a conta do gás foi para as taxas e documentos infinitos, necessários à casa.

coerente ou não, é um desabafo. solteiras, ajuntadas e casadas das internets, querem pronunciar-se?! [aqui e não nas feeds]

2 comments:

ashey said...

Escrevi um texto enorme e isto não deu. detesto o blogger! HUMPFT

cassiopeia said...
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